Textos / Texts

Voyage LA Interview

“[…] When you’re driving an old car, you have to learn something about how it works, because it’s going to break down on you all the time. I started by reading the owner’s manual and doing drawings and paintings of the engine, looking for connections. Eventually I was changing my own oil, replacing the clutch cable, the alternator, the head gasket… I could go on. People usually want to go with something reliable, which is practical. But you don’t learn anything from something that always works perfectly. It’s only when something breaks down, that you have no choice but to figure out how to fix it, how to make it work again. […]”


Screen shot 2019-05-22 at 1.11.52 AM.png

MECAjournal

Sobre a exposição individual na MECAintro


MECAintro press release por Lucas Ribeiro "Pexão" 2018

A artista norte-americana Giovanna Pizzoferrato (1991) mora em Los Angeles, mas tem uma forte relação com o Brasil. Filha de mãe brasileira, do interior de Minas Gerais, e amante de São Paulo, cidade que visita com cada vez mais frequência. Não por acaso, é na capital paulistana que vai acontecer sua primeira exposição individual, no projeto MECAIntro, composta por duas séries de trabalhos aparentemente desconexos: pinturas de aquários sobre acrílico e desenhos de motores sobre papel.

Acompanhando a tentativa frustada de sua irmã em montar e manter um aquário em casa, Giovanna viu despertar em si o interesse por esse objeto peculiar. A caixa d`água com a vida oxigenada por um motor, esse volume visível, principalmente pelos reflexos que provoca, é definitivamente um objeto interessante para a pintura. Já os desenhos de motores, na verdade do motor de seu Wolksvagem Rabbit 1979 caindo aos pedaços, surgem de seu aprendizado autodidata nesse universo predominantemente masculino da mecânica automobilística. Giovanna não só aprendeu a consertar as entranhas de seu veículo, como, desenhando, percebeu uma série de conexões emocionais nesse processo.

Como as máquinas e as pessoas funcionam ou deixam de funcionar? Como se conectam mecanicamente em suas partes e subjetivamente às nossas vidas? Giovanna Pizzoferrato parte de seu cotidiano particular para projetar humanidade nas coisas, no caso, nessas caixas de peixes e de humanos. Objetos que expressivamente representados e compostos, podem modular sentimentos complexos de qualquer um. 


MECAintro press release by Lucas Ribeiro "Pexão" 2018 (English Version)

Translated with help from Marina Ribeiro de Almeida

The North-American artist, Giovanna Pizzoferrato (1991) lives in Los Angeles, but has a strong relationship with Brazil, as her mom is from the countryside of Minas Gerais. She is also a lover of São Paulo, the city that she visits ever more frequently and it is no coincidence that her first solo exhibition will be shown in this metropolis. Hosted by MECAIntro, it is composed of two apparently disconnected series of works: paintings of aquariums on plexiglass and drawings of engines on paper.

Accompanying her younger sister´s frustrated attempts to set up and maintain a 40 gallon freshwater aquarium at home, Giovanna felt intrigued by this peculiar object. A glass box of water oxygenated by a motor, this reflective volume is definitely an interesting subject for a painting. As for the engines, drawn from observation of her rusty 1979 manual transmission Volkswagen Rabbit, they came from her curiosity of this predominantly male culture of car mechanics. Not only did Giovanna learn how to fix her car, but also perceived a series of emotional connections in the process of drawing.

How do machines and people function or fail to function? How do they connect mechanically in their parts and subjectively to our lives? Giovanna Pizzoferrato proceeds from her particular daily life, projects humanity onto ordinary objects, in this case, these boxes of fish and of humans. Objects that are expressively represented and composed can modulate complex feelings in anyone.


Text for Group exhibition Convergent Narratives, written by Millicent Kennedy 2018

In times of duress, there are many avenues to solace. The artists brought together in Convergent Narratives all address anxiety and discomfort in marked specific ways. In evolutionary biology, convergent evolution happens when animals not related develop similar functioning traits because they adapt to specific situations. Similarly, the works of Arden Cone, KC Weldon, Eric Cortez, Kelsea Nichols, Giovanna Pizzoferato and Zeinab Saab are drawn to materials and methods that create a resonating material experience for the viewer. The collection of narratives told by this group is diverse, hailing from the deep South, the East and West coast, and the heartland Midwest. They have all found their own route into visual storytelling, through drawing, painting, ceramics, bookbinding, printmaking or installation.


Texto por Lucas Ribeiro "Pexão" 2016

Apesar de jovem, Giovanna Pizzoferrato já revela características particulares em sua prática artística. Trata-se de um vocabulário visual, expressivo e simbólico ainda em formação, mas com sinceridade e força para ser percebido, mesmo em séries com técnicas e temáticas tão distintas.

A artista parece ter como ponto de partida uma curiosidade quase científica: Como funciona o carro? Como não funciona um aquário? Como se comportam os casais? Como o mundo tangível das coisas se conecta com a dimensão emocional? Ao contrário da investigação na ciência, as respostas de Giovanna só poderiam vir dela, de seu ponto de vista peculiar. Respostas na forma de imagens subjetivas, mas ainda assim respostas. Reações.

Quando confrontada com a história da arte e seus temas clássicos, por exemplo, Giovanna assassina o “maldito” cisne de Leda. Zeus, metamorfoseado em cisne, inspirou inúmeros mestres a pintar situações sexuais, sem precisar retratar o corpo masculino. Para um deus que inspira uma interpretação contemporânea machista, a resposta da artista é uma execução. Ela também já respondeu questões parecidas com uma hiena lambuzada de sangue, em outro trabalho.

Por alguma razão, ainda desconhecida, a representação da água é recorrente na produção da artista. Contida, resfriando, vazando e dominando a paisagem. Água que costuma faltar em Los Angeles, cidade em que mora, mas também pode ser escassa em São Paulo, aonde habita cada vez mais. O elemento essencial à vida que, em seus trabalhos, pode pulsar como sangue, escorrer como sêmen ou ser encaixotado. Ainda assim é água. Ainda assim é uma expressão artística muito específica, curiosa.